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Quem, como eu, tivesse comprado o álbum Loaded Basses à saída do concerto pelo Joe Fonda's Bottoms Out — que abriu, no Anfiteatro ao Ar Livre da FCG, a segunda parte do Jazz em Agosto deste ano — teria podido chegar de novo a uma constatação com que tantas vezes nos defrontamos: por muitos cuidados técnicos e segurança interpretativa que o trabalho em estúdio possa assegurar, nada melhor, as mais das vezes, do que assistir in loco à actuação de um dado grupo, ganhando a música ouvida maior genuinidade.
O certo é que algumas peças que compõem o line up de Loaded Basses haviam sido tocadas no concerto acabado de realizar pelo sexteto do contrabaixista. E como tinham soado bem melhor! Para esta radical diferença, terão sobretudo contribuído de forma negativa as habituais preocupações de produção (sem dúvida bem intencionadas) por parte da CIMP, a editora que publicou o álbum, sempre procurando idealmente garantir em estúdio (e defendendo-a na própria contracapa dos CDs) a mais pura das fidelidades auditivas... mas quase sempre contrariando os generosos propósitos nos resultados concretos das suas edições!
Recomeçava assim o Jazz em Agosto 2007, com um grupo forte e fortemente liderado mas, aqui e ali, bafejado também por aquela passageira e bem-vinda falta de coesão e perfeccionismo que tantas vezes contribui, afinal, para a real verdade da música. Um jazz inequívoco, bem apoiado na vertente da composição mas dando largo espaço à improvisação (estruturada e livre, individual e colectiva) que tão bem apimentou e até chegou a desviar do seu caminho o traço composicional de origem.
Bem perto de Joe Fonda, física e conceptualmente, Gerry Hemingway e a sua polivalência técnica e cultura jazzística fizeram toda a diferença, se as compararmos com a indigência de uma outra personagem que ajudara a arruinar (na primeira parte do festival) a actuação já mais que sofrível da Crimetime Orchestra (Noruega). Demonstrando que, neste jazz feito de sínteses insuspeitadas, swingar às vezes não é pecado, Fonda e Hemingway construíram e destruíram o continuum rímico e souberam criar elos e fracturas, lá onde elas eram necessárias à invenção da música e à energia dos solistas.
Entre estes, Joe Daley (tuba) evoluiu à altura das exigências, Claire Daly (sax-barítono) esteve mais recatada, Michael Rabinowitz (fagote) afirmou-se mais exuberante (e mesmo empolgante) e Gebhard Ullmann (clarinete-baixo) foi o mais criativo de todos, embora com alguma discrição, provando ser no jazz de hoje talvez aquele que melhor assimila e reavalia, de forma evolutiva, a sempre fabulosa herança de Eric Dolphy.
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Copyright © 2007 Manuel Jorge Veloso.
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